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Areia Branca debate estratégias para contenção das manchas de óleo no litoral do município



A reunião extraordinária pública para debater medidas de contenção de chegada das manchas de petróleo bruto na costa areia-branquense aconteceu nesta terça-feira (29). A reunião foi convocada pela prefeita Iraneide Rebouças (PSD), para promover a discussão acerca das etapas necessárias para impedir que o óleo — que têm aparecido nas praias do Nordeste desde o fim do mês de agosto — pegue Areia Branca de surpresa. O encontro aconteceu na sede da Fundação Areia Branca de Cultura, e contou com a presença de secretários e gerentes municipais, vereadores, representantes de universidades, organizações pró-meio ambiente, executivos e membros representantes da comunidade pesqueira e salineira, além da população em geral.

“O objetivo dessa reunião é conversarmos sobre esse desastre ambiental que tem chegado ao nosso país e como Areia Branca pode reagir a essa situação, pois a nossa preocupação é essa, o que pode ser feito. Areia Branca respira natureza, não podemos ficar assim”, disse a prefeita Iraneide Rebouças, na abertura da mesa. Logo após, a gerente do Meio Ambiente Gabriela Cynara e a representante do Projeto Cetáceos da Costa Branca Fernanda Niemeyer Attademo, discutiram estratégias sobre o assunto, junto aos representantes do executivo da cidade, secretários, especialistas da área e empresários. “Ficamos muito preocupados devido a presença de óleo, descoberta graças a um pescador no São Cristóvão. A Prefeita conversou comigo pra dizer que não precisava esperar o óleo chegar, então decidiu convocar essa reunião para decidirmos o que fazer”, declarou Gabriela.

Uma das pautas principais da reunião foi a ocorrência da aparição de uma mancha de óleo com aproximadamente 20 centímetros de diâmetro na praia de São Cristóvão. A situação foi amplamente divulgada nas redes sociais, com um certo alarde — uma abordagem incorreta em situações desse nível. “Encontramos três fragmentos de óleo, mas não podemos dizer com certeza se é esse mesmo óleo do desastre. Pode ser óleo proveniente de outra ocorrência, como uma acontecida no ano passado”, tranquilizou Fernanda Niemeyer. “Por isso, é muito precoce ‘entrar em pânico’ agora. Com o apoio da Marinha, da Prefeitura e das outras organizações, é que nós poderemos dizer algo com total propriedade, mas até lá, nada está confirmado”, ressaltou a representante do PCCB.

O recorte científico foi conduzido pelo biólogo, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), e consultor do Sindicato do Sal Renato de Medeiros. “O plano de contingenciamento desse material precisa ser posto em prática. Precisamos impedir que os fitoplânctons absorvam esse óleo e prejudiquem a produção salineira”, explicou o professor Renato. Outro representante do quadro de especialistas foi o professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) e coordenador do PCCB, Flávio Lima. “Temos que pensar nas prioridades, principalmente na saúde humana, pois isso aqui também é um problema de saúde pública. Temos um estuário de sal, que pode afetar a população. Por isso, é necessário desenvolvermos essas estratégias, junto com a prefeitura e todas organizações envolvidas”, declarou Flávio.

Após as inscrições e falas das diversas partes presentes na reunião, iniciativas foram encaminhadas para a prevenção do problema. Um grupo de monitoramento será criado nos próximos dias, para centralizar todos os reportes de possíveis ocorrências de manchas de óleo na costa. A Marinha junto a outros órgãos, por sua vez, continuará a realizar estudos para definir o perímetro necessário para a contenção do óleo, em caso de aparição do mesmo nas praias. Também ficou acordado o recrutamento e capacitação de voluntários para recolher o material, tudo isso feito com responsabilidade, com os mesmos sendo munidos de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequada e orientação profissional. “Nada de pegar no óleo, ou ‘juntar com a mão’. O hidrocarboneto de petróleo é altamente tóxico. Caso seja encontrado, é necessário ligar para as autoridades”, explicou Gabriela Cynara.

A prefeita, ao final, agradeceu a presença de todos e a colaboração com o bem-estar do povo. “Estou me sentindo mais tranquila a partir de agora, com a consciência que estamos bem encaminhados para começar a resolução de qualquer problema enfrentado por nossa cidade”, finalizou a prefeita.